1.10.10

João Bolão e o bolão ideal - ou não

Tem o João, um dos caras que eu mais respeito. A gente chama ele de João Bolão. Não é nada pejorativo. É que ele faz parte da equipe de Bolão de um clube aqui da cidade. Estávamos tomando uma ou duas no bar ontem. Ele contou as últimas peripécias que aprontou no meio dos velhos (por que só velho joga Bolão) em uma excursão para Curitiba. Nem lembrava que essa cidade existia. "Aprontei muito com o velharedo, bebemos todas e ainda ganhamos a semi", disse ele. "Bei, cara, tem que ver que mulheril". Não duvido, deve - MESMO - ser bem divertido sair com velhos aposentados e babões.
Entre nossas trocas de experiências noturnas, ele contou um sonho estranho que teve.
No sonho ele tinha metade da estatura (João é um cara grande, dois metros de altura, braços firmes e compridos de jogar Bolão), era careca e usava óculos fundo de garrafa. Jogava Bolão em um time que nunca tinha vencido uma disputa. Era triste a coisa. Nada funcionava. Nenhuma estratégia. Não adiantava treinar.
Certa feita (dentro do sonho) marcaram um jogo em Panambi contra o melhor time da cidade. Era só mais uma derrota, cerveja e festa. Mas sempre rolava aquela frustração de nunca ganhar uma partida que fosse.
Ao chegar em Panambi, João sentiu uma coisa estranha. Mistura de bem estar com ansiedade. Uma confiança que jamais sentira. Chegou no hotel, bebeu uma lata de cerveja do frigobar, deitou na cama, ligou a TV, zapeou pelos 56 canais, não encontrou nenhum joguinho de futebol pra assistir e dormiu. Acordou de susto com o Adolfo peidando no alto do sono. Foi um tiro de canhão. Horas depois o peido do "Finho" era comentado na mesa do bar pelos colegas dos quartos vizinhos.
Apesar do susto flatulento, João sentia algo bom e animador.
Na saída para o jogo, João - ou Joka, como os companheiros de time o chamam - comentou com Gumercindo: "Acho que a gente vai ganhar, tô sentindo desde ontem." Guma, riu e deu de ombros.
O ginásio do Clube Atiradores de Panambi era novíssimo. A pista de Bolão era lisinha e brilhante. Encerada e besuntada com óleo de peroba. Um brinco de pista. Confraternizaram com os adversários, tomaram umas dezesseis cervejas e resolveram iniciar a cancha.
João ganhou o par-ou-ímpar e sentiu um arrepio confortante que confirmava toda a sensação de que ia ganhar um jogo pela primeira vez.
Eram cinco contra cinco. Quem fizesse mais pontos ganhava. O desempate era do dono da casa. Então, era ganhar ou ganhar.
João, todo confiante, pediu pra jogar a primeira rodada. Escolheu a melhor bola de todas as melhores bolas (eram todas novas mesmo). Foi o melhor primeiro arremesso que ele executou na vida. Strike! A euforia tomou conta da equipe. Foi um Strike atrás do outro. O time da casa não teve chance, ficou nervoso, errou dos pinos diversas vezes.
Enfim, a primeira vitória! Bebida por conta dos donos da casa. Aquela gozação toda sobre ser a primeira vítima do Íbis do mundo do bolão mundial.
E fim de sonho.
João não sabia explicar esse sonho. Por que ele, aparentemente, não tinha motivos para se preocupar com seu desempenho no Bolão.
Depois de mais duas cervejas ele voltou ao assunto. Falou exatamente essas palavras: "Cara, até hoje eu não sei se aquilo foi sonho ou realidade. Tô ficando maluco, velho. Não sei o que fazer".
Fiquei me perguntando quando deitei a cabeça no travesseiro se as coisas na vida se transformam em sonho, se a gente sonha e idealiza as coisas, se idealiza e depois sonha, se temos controle sobre o que sentimos e se devemos querer coisas que fogem do nosso controle. Sendo em sonho, ideal ou não. Se realmente vale a pena calçar um tênis que não nos serve só porque ele é vermelho, bonito e confortável.

15.9.10

13.9.10

Proyecto Gomez - Ya no tengo donde guardar mi dolor

Proyecto Gomes toca no Macondo Lugar durante o III Congresso Fora do Eixo etapa Regional Sul.
Santa Maria - RS
Imagem: Marcelo Cabala

8.9.10

Vinte e sete anos completos

É estranho fazer aniversário hoje.
Há um ano atrás eu tinha outra perspectiva de vida.
Tinha menos amigos, mais inimigos.
O telhado da minha casa estava virado em peneira pelas pedras de gelo que caíram do céu no dia anterior.
Estáva voltando de Belo Horizonte. Onde nunca deveria ter ido.
Eu tinha outro destino. Não estaria mais aqui. Sentado sobre as pedras de Santa Maria.
Não teria visto tanta coisa boa. Conhecido tanta coisa nova.
Mal sabia eu o que teria perdido nesse ano mágico.
Com 27 anos, com a saúde um pouco gasta, mas com o espírito de recém nascido, vivo a minha vida (já que isso me foi imposto).
E ela é demais.
Obrigado a quem me proporciona tudo isso.
Obrigado a quem está comigo.
Parabéns pra mim.
Abre-se mais uma temporada para não deixar a corda desatar.
Um brinde.
Tim tim.

13.7.10

Entrevista com a Rinoceronte

Eis uma entrevista com a melhor banda de Santa Maria nos últimos 20 anos sobre o clipe da música Anda no Ar.

O clipe tem direção da minha querida amiga Nani. Ficou muito bom.
Parabéns, baixinha!

Veja esse vídeo também no blog do Macondo Coletivo



E agora o clipe:



Ficha Técnica

Música:
Anda no Ar (Gravada no Estúdio Rocklab, Goiânia/GO, em maio de 2010, com produção de Rinoceronte e Gustavo Vazquez)
Duração:
3:40m
Realização:
Alunos do Curso de Comunicação (Publicidade e Propaganda) da UNIFRA, Santa Maria/RS e Normal Pictures.
Direção:
Ariane Nogueira
Câmeras:
Alexsandro Pedrollo
Denis Carrion
Edição e Finalização:
Denis Carrion
Assistente de Edição:
Marlon Bertoncello
Produção:
Ariéli Martini
Assitente de Produção:
Bruno Appel
Apoio:
Macondo Coletivo, Ulbra Santa Maria/RS, UNIFRA Santa Maria/RS

8.7.10

A marca do paletó - Cont. Cap. 2

Ela dizia que era um grande enigma. Como o da Esfinge. "Decifra-me ou te devoro."
Que no fundo nem era tão difícil assim. Mas, mesmo assim, ela insistia em fazer mistério.
Eu não conseguia perceber um padrão. Nem hora, nem frequência. Muito menos, o que aquilo poderia significar. Se é que significava. As conversas eram vagas. Dispersas e, por isso, instigantes. Para uma próxima.

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Marta levou-me ao escritório para dizer coisas pouco óbvias. Suas feições mostravam desejo. Suas palavras tentavam - e conseguiam - esconder essa vontade de atacar meu corpo com o instinto de uma fera.
- Viemos aqui para eu poder me desculpar decentemente por ter esbarrado em você. Por eu ser tão despreocupada com pessoas como você. Sei que a sua vida não é fácil. Acho você bonito.
- Não estou entendendo, madame.
- Acho que bebi demais. Quer uma dose que conhaque? A vida é tão cruel. Quer ser meu amigo?
- Não acho que seria viável. Moro na periferia da Villa. Seu tio não aprovaria tal relacionamento. Preciso voltar ao trabalho.

Ao me virar, percebi que ela vinha em minha direção.
Puxou meu braço. Virei. Ela fixou os olhos nos meus. Tremi. No fundo meu plano estava funcionando. Tinha conquistado a peça principal do tabuleiro. Deixei-a me beijar.

Senti o cheiro da champanha misturado com sua saliva e seu suor perfumado. Teria arrancado seu vestido. Mas não podia correr riscos. Afastei-a e ela saiu da sala correndo.

To be continued...

2.7.10

A intransponível zaga do Toniho Lambari

Tem um amigo meu, o Toninho Lambari. Assitimos o jogo do Brasil contra a Holanda no meu telão de 76' lá em casa. Tomando um bom chimarrão.
Toninho é um cara gordo, mas muito gordo. Tão grande que botava medo em todos os atacantes nos jogos do colégio. Tinha quase a circunferência de um Fusca. Um chutão forte à meia distância. Azar de quem, ou do que, estivesse no caminho daquela perna canhota roliça.
O apelido é resultado de um veraneio em 1996. Uma onda de proporções de desastre natural derrubou o Toninho. Trouxe ele até a beira da praia com sua estrondosa barriga para cima. Parecia uma baleia encalhada na areia de Capão da Canoa. Você pode imaginar o tamanho do umbigo dele? Era comparável ao tamanho de uma caneca de chopp daquelas da Oktoberfest.
Eu, Cocóta e Scarpa nos assustamos com o buléu que o Toni levou e fomos correndo em direção a ele. Perguntamos se estava tudo bem e ele respondeu que sim, só que estava sentino algo estranho na barriga. Pensei que ele tinha machucado alguma costela. Era díficl algo atravessas gravemente aquela bela camada adiposa. Apalpei o lado esquerdo e ele falou que era na altura do umbigo. Olhei aquele umbigo gigantesco e cheio d'água. De repente, para minha surpresa, salta um peixe de dentro e segue rumo aos domínios de Poseidon ou Netuno. Não deu tempo de ver que peixe era. Mas ficou como lambari. A xacota foi eterna nos quatro dias restantes. E o apelido pegou e se mantém até hoje. É um fanfarrão esse Lambari.
Mas voltando às vacas magras. O Brasil perdeu para a Holanda e foi desclassificado. Depois de uns quatro ou cinco minutos de reflexão, o Toninho largou: Cara, esse juíz acabou com o jogo.
Fiquei pensando por um tempo. E concluí que não é uma teoria descartável. Se analisarmos o jogo, as atitudes dos jogadores do Brasil foram de quem estava emocionalmente abalado. Irritados demais. O juíz japonês parava demais o jogo, truncava demais, conversava demais. Juíz de futebol tem um apito que serve para fazer valer a regra do jogo. Possui dois cartões, dos quais um serve de advertência e outro para exclusão. O time holandês (assim como o português) soube que a Seleção se descontrolaria e usou dessa arma para acabar com a possibilidade do Brasil jogar um bom futebol. Robinho esbravejou na cara de um adversário logo aos 5 minutos de jogo. Felipe Melo e Michel Bastos pareciam o Toninho Lambari. E sem estrutura emocional, o Brasil foi uma seleção qualquer e não a Seleção Brasileira.
Mas não foi só isso, é claro. Kaká deixou o futebol lá em Milão. Não levou para Madri e muito menos para o continente africano. Por cima, o melhor jogador do Brasil chutou apenas três vezes a gol durante a Copa.
Dunga mudou tarde e mal. Mas as opções não eram das melhores. Trocou L Fabiano por Nilmar quando deveria tirar o inoperante Kaká.
A seleção holandesa que tem os craques que tem se aproveitou de tudo isso e foi adiante na copa. E o hexa, como o peixinho do Toninho, foi para os braços dos senhores dos mares da Cidade do Cabo.
Contamos agora que nosso vizinho Uruguai desmonte nosso algoz.
Com todo respeito aos grandes zagueiros Lúcio e Juan: O Toninho Lambari não deixaria aquelas duas bolas passarem da linha do gol.

Agora nos resta esperar a Copa do Mundo do Brasil daqui a quatro anos.

29.6.10

Minha querida R2

Desde 1977, o mundo vê a convivência de dois dróids inseparáveis. George Lucas criou um universo que contém dois robôs que se completam, se ajudam e, por que não, se gostam.
C-3PO e R2-D2 são personagens importantíssimos na saga Star Wars. Eu gosto desses filmes. Eu assisto esses filmes sempre que tenho a oportunidade. A sacada do George Lucas foi genial ao criar esse mundo do futuro que é tão igual ao nosso. Aquele vilão inocente, criado por um vilão pobre de espírito. O vilão mitológico que virou vilão porque matou sua amada. Levanta discussões sobre espaços públicos e privados, escravidão, trabalho infantil, tortura, corrupção e golpes de Estado. Um dos grandes xodós do mundo nerd com todos os efeitos especiais.
Mas eu estava falando dos dróids. Sou um cara de estatura mediana e magro. Desengonçado, pés tortos e um pouco disléxico. Avoado e um pouco ansioso. Tenho essa obsessão por escrever. Tenho facilidade com ferramentas de mídia eletrônica. Poderia dizer que sou quase um C-3PO.
Lembrei disso porque ontem uma das mulheres que eu mais considero (depois da minha mãe e as progenitoras dos meus pais), disse publicamente que prefere trabalhar junto comigo. Segundo ela, a gente funciona bem junto e nos completamos. Um pouco surpreso - usei uma das minhas ferramentas especiais para momentos de embaraço - fiz a piada de que ela pensa e eu executo. Meus olhos marejaram de orgulho e uma emoção considerável me envolveu. Juro que fiquei muito sem jeito. Ela, o cérebro. Eu, a máquina. Igualzinho à dupla robótica. Eu tenho minha R2 (aaRtchu - na pronúncia em inglês) desde o início deste século.
Acho que eu nunca tinha manifestado aqui, e tão abertamente, o que a minha relação com a baixinha significa. E nem precisa. Ela sabe.
Uma pena que tenhamos que morrer um dia.
Nesse caso, eu gostaria que fôssemos feitos de lata.

15.6.10

Zezinho e Golias

Na minha serelépica idade de dez anos, tinha um amigo, o Jorjão. Se comparar com o meu tamanho de hoje, ele mediria dois metros de altura por um e meio de largura. Ele morava no mesmo prédio que eu. Jogávamos fliperama, Super Trunfo, futebol de botão. As férias da escola eram só diversão. O futebol no terreno baldio durava a tarde toda.

O Jorjão era três anos mais velho que eu. Mas, naquela época, isso fazia pouca diferença. Eu era colega de aula do irmão dele, o Zezinho, que batia na cintura do Jorge.
Viviam em pé de guerra aqueles dois. Zezinho insistia em participar das brincadeiras. O irmão não gostava muito. Acho que ele tentava proteger de alguma coisa ou sentia medo que o irmãozinho acabasse por ser superior a ele em alguma brincadeira. Os jovens têm muito medo de serem superados por alguém mais jovem ainda. Mas isso nunca acontecia entre eles, por mais que o Jorjão não fosse muito dotado de habilidades fenomenais. O cara era bom mesmo no botão. Sempre campeão dos nossos torneios.

Nesse ano, dos meus dez anos, combinamos um torneio no primeiro dia das férias de inverno. Não poderíamos fazer aventuras na construção. Era muito frio e chovia. Fizemos o sorteio dos confrontos na semana anterior. No dia, tinha pipoca, bolo e carrapinha. Era junho.
A gente tinha o costume de gravar músicas do rádio em fitas. Cada um levaria uma e escutaríamos todas enquanto rolava a disputa na mesa de botão. Jorjão já comemorava mais um título. Zezinho conseguiu permissão de participar na última hora. O pai dos dois teve que interferir em nosso grupo para que isso acontecesse.

Fiquei feliz quando soube que meu primeiro adversário seria o Zé Pequeno (eu sempre mudo os apelidos das pessoas). Eu tinha um time melhor e um pouco mais de prática. Surpreendentemente, perdi a partida com um golaço no último lance.
O Zezinho foi avançando e chegou na final contra seu irmão. Era Davi contra Golias. Jorjão começou arrasador e abriu dois gols de diferença logo de cara (três de diferença acabava o jogo). Zezinho estava calmo. Jorjão arrogante. Então a lenda começou a valer. Zé fez o primeiro gol e Jorge se irritou. O empate foi o estopim de uma discussão ferrenha entre os dois. A raiva de Jorjão fez com que ele ficasse cego, no mínimo vesgo. Não acertava mais nada. O caçula da família Weber acabou vencendo a partida. Carregamos Zezinho nos ombros. Foi uma festa digna de um vencedor. Até o derrotado sorriu timidamente enquanto observava.

Uma semana depois o Jorjão foi viajar para o Rio de Janeiro. Na ida até Porto Alegre para pegar o avião, um caminhão se chocou com o ônibus e o Jorjão morreu. Acho que foi a maior tristeza da minha vida. Foi a única reunião triste de nossa turma, o velório. Zezinho parecia não acreditar. Nem chorava. Só o vi chorando de canto alguns anos depois em um churrasco.
Até hoje eu falo com o Zé. Fomos colegas até a faculdade. Ele se formou e foi morar no Rio. Mora na Barra da Tijuca. Conversamos todos os dias pelo MSN.

Até hoje nunca tive coragem de perguntar porque ele chorou quando venceu o irmão no jogo de botão.

13.6.10

Texto colaborativo - 3º FETISM - A Vida é um Perfume

No terceiro dia do FETISM o grupo Teatro Camaleão trouxe a celebração à vida ao palco do TUI, com a peça Uma Estória Abensonhada. O comerciante Mohamed Pangi Pathel ccomemora o casamento de seu filho com uma festa que, aparentemente, é uma celebração de alegria. Mas não é só isso.

O velho Pathel no banco da praça


A linha de tempo do conto A praça do deuses do escritor moçambicano Mia Couto carrega em seu desenvolvimento diversas personagens encarnadas pelos atores Eduardo Colombo, Luciana Oliveira e Valéria Minussi. Durante a apresentação foram mostradas pessoas diferentes em corpos iguais através da técnica de mímesis corpórea.

Dentro do palco marcado com fita e coberto com pétalas de rosa, as personagens entravam e saiam de cena para contar a história do velho comerciante que via a vida como perfume. Sabendo que seu perfume se dissipava, aproveitou o casamento do filho para desapegar das coisas materiais e se despedir de seus queridos da forma menos drástica.

Após a apresentação ocorreu o debate entre os artistas, integrantes da produção do espetáculo e o público. A platéia questionou sobre a composição da peça e como os atores procederam na criação de suas imitações baseadas em pessoas as quais eles viram algo de interessante. Cada um explicou didaticamente a importância de suas escolhas para falar de pequenas coisas que acontecem no cotidiano.

O momento em que Mohamed Pangi Pathel fica sabendo que seu filho vai casar

Uma Estória Abensonhada tem direção de Eduardo Okamoto e Gabriela Amado como assistente de direção. O Grupo Teatro Camaleão está em excursão apresentando o espetáculo em algumas capitais do país, passaram por Belém, Natal e após a apresentação no FETISM seguem para apresentações em Belo Horizonte e Porto Alegre.

Texto: Rodrigo Ricordi
Fotos: Nathália Schneider

Mais textos, fotos e vídeos da cobertura colaborativa do 3º Festival de Teatro Independente de Santa Maria - o famoso FETISM (leia fetííísm) - no blog lindo do festival em www.fetism.blogspot.com

9.6.10

O frio de São João

Um amigo meu, o Petralha, é saudosista. Bastante saudosista, eu diria.
Estávamos conversando, ontem, antes do futebol, e tal.
Entre um gole e outro de quentão, falávamos sobre aqueles velhos tempos de churros no Calçadão, carrapinha na Floriano, Cine Independência, Cine Glória, bomba de chocolate no Copacabana.
Todos esses lugares e coisas remetiam aos invernos da nossa infância.
Hoje, a gente bebe vinho quente com cachaça, açúcar e canela.
Junho chega trincando dentes e bolsos com o frio e o dia dos namorados.
E mais as festas juninas, é claro.
Sempre ouvi falar em barracas do beijo em festas juninas.
Nunca teve nas que eu fui.
Junho é beijável.
O Petralha, saudosista que é, fica nessa lenga-lenga de ficar lembrando das marias-chiquinhas que beijou na bochecha nas festas de São João.
E das namoradas no inverno. Hoje ele é solteiro, coitado.
Gastava uma nota por mês pagando churros.
"Ah, como era bom andar de mãos dadas no calçadão. Numa mão o churros, na outra aquela mãozinha geladinha e lisa, aquele beijo com um pouco de açúcar no canto da boca", suspirava Pepê.
Conforme o quentão ia fervendo em nossas cabeças, a melancolia tomava conta.
Partimos da infância quentinha para nossas atuais frias vidas solitárias.
Hoje quando cheguei no trabalho - após passar na frente da Copacabana pelo Calçadão, ver um casal de namorados comendo churros e sorrindo e sentir o cheiro da carrapinha - senti muito frio. Lembrei do último outono.
Nada era mais quente e aconchegante que aquela cama em Camobi. Nada.

"Era noite de São João
E eu saia com meu irmão
De bigode de rolha
E chapéu novo em folha
Brim Coringa e alpargata

Toda noite de São João
Eu sonhava em pegar da mão
De uma prenda bonita
De vestido de chita
E Maria Chiquinha"

Noite de São João (Kledir Ramil e Pery Souza)


1.6.10

3º Festival de Teatro Independente de Santa Maria

A arte e a cultura não param em função da Copa do Mundo.. começa no mesmo dia o 3º Festival de Teatro Independente de Santa Maria.
De 10 a 19 de junho o Teatro Universitário Independente (TUI), a praça Saldanha Marinho e o Theatro Treze de Maio recebem os espetáculos que vão enfeitar e encantar as tardes e noites da cidade.
Importante ressaltar que nada se paga para assistir às apresentações. Tudinho de graça!
Para as oficinas será cobrada a inscrição.

Galera se juntou hoje no Macondo pra começar a alinhavar a cobertura colaborativa do FETISM 2010.

dentro dessa.

Quem quiser acompanhar a cobertura (matérias, entrevistas, fotos, clipes, rádio ao vivo) pode entrar no blog do FETISM aqui

19.5.10

Vem d'onde?

Venho do tempo que anda
Da porta da casa que fecha
Do cheiro do escuro
Do parto do avesso

Da ponta da história
Do vai-e-vem das entranhas
Das pernas convexas
E dos pensamentos sem memória

Que bela clave de sol encontrei na janela
Que tempo vil que me prende
Que dito de quebra-costela
Quebrando o coração se entende

Venho de lá
Dali
De longe
Quase de ti

Vou nadar no vão sem cor
Vou despular do fundo
Vou afundar
Até chegar onde parti

Rodrigo Ricordi - duas da madrugada de dezenove de maio de dois mil e dez (muitos dês)

25.3.10

Lembrei duma música do Arnaldo

Lembrei dessa música hoje.
Gosto dela.



Bússola desgovernada

Nada. É. Não entendo nada dessa vida.
Nem sei se é só da vida mesmo ou se sou eu mesmo que não sei viver.
Tipo "viver a vida".
Cada coisa que me passa pela cabeça.
A mesma coisa é o Inter.
Acredito que ninguém sabe mais nada no Beira-Rio.
O Fofão só dá desculpa.
O uruguaio, perdendo ou empatando, acha que o time joga bem.
O Inter vem há três anos jogando bem e não ganhando nada.
Por isso eu digo.
Não entendo NADA de futebol e, muito menos sei lidar com as coisas do coração.

6.3.10

Joel juntado peças

Esse amigo meu, o Joel, cismou de apagar da memória todas as lembranças da ex-namorada. Clementine o nome dela. Coisa rápida. Três anos de namoro. Amor louco como só um amor verdadeiro pode ser. Meio que não deu certo. Porque não pode dar certo apagar um amor. Amar alguém é uma marca a ferro em brasa. Fica para sempre. É eterno. Se um dia se chamou amor, pra sempre será. E não tem como esquecer.
Minha vida é um quebra-cabeças de quatro milhões de peças. Já encachei grande parte delas. Eu não sou do tipo que tenta esquecer - como Clementine fez com Joel. Eu, por mais que tente, sempre lembro. Porque vou montando o quebra-cabeça. E SEMPRE encontro uma peça da vida que lembra algum amor. Claro que a proximidade dos fatos faz lembrar dos mais recentes que são mais doloridos. Eu, honestamente, não tentaria apagar da minha memória os momentos mais lindos que vivi. Das minhas brigas com meu ego. Com as noites mais bem do que mal dormidas porque ficávamos fazendo amor e conversando sobre a vida. Não tem porque querer esquecer isso. Eu posso, sim, me indignar. Porque não é recíproco. Tenho uma Clementine em minha vida. Justamente essa que me fez saber que o amor é maior que tudo. E depois apagou da memória todos aqueles dias em que choramos abraçados e caminhamos lado a lado. Que rimos das nossas besteiras. Que quebramos a cama pulando e fazendo cócegas. Tendo a pensar que essas coisas não têm muito valor. Pra mim sempre tiveram o maior valor.
Mas, no fim das contas, eu é que estou aqui lembrando de uma imagem de gesso. Completamente sem lembranças. Uma parte do meu quebra-cabeças que talvez eu tenha perdido na sala e o aspirador de pó tenha mandado pra tão longe que eu não possa encontrar.
Eu gostaria muito que essa peça não fizesse falta. Mas desconfio que seja uma peça bem do meio.

Hoje eu vejo as fotos e fico pensando em que diabos de vida é essa. Que nos tira as melhores partes. Aquelas que, realmente, nos fazem sermos gente.
Eu fico - e sou - profundamente triste com essa injustiça que chamamos de "viver a vida".

24.2.10

Travesseiro multifacetado

Ontem fui até a casa de um grande amigo para assistir à estreia do Inter na Libertadores 2010. Comprei algumas latas de Polar. Jantamos bife acebolado com arroz e alface. Uma beleza. Ele convidou a namorada - colorada, ele é gremista - e mais um amigo - também gremista - e assistimos ao jogo comentando os lances. Eu e Cynthia aflitos com o resultado adverso e os dois secadores tranquilos, achando o jogo o máximo. No fim das contas ficou tudo bem. O Inter venceu e assistimos um episódio de The Big Bang Theory e um de Friends. Ficamos ali olhando aqueles personagens engraçados e malucos e tentamos nos identificar neles. Ross e Sheldon foram os indicados para mim. Motivos óbvios.
Quando cheguei em casa - com algumas cervejas na cabeça - resolvi fazer duas torradas. E sempre que rolam conversas sobre mulheres e sentimentos eu lembro dela. E dessa vez, enquanto preparava as torradas, entre passar maionese e brigar para separar as fatias de queijo, fiquei culpando várias pessoas pela maior decepção e frustração amorosa da minha vida - eu já decretei que é a maior. Achei alguns. Quando as torradas ficaram prontas sentei os culpados em volta da mesa e - acho que estou ficando maluco - gritei com eles em voz alta e disse todos os motivos pelos quais estava os culpando. Devorei as duas torradas e liberei os réus. Fiquei mais tranquilo depois disso. Faria pessoalmente, com certeza.
Escovei os dentes, tirei a roupa e me joguei na cama. Abracei o travesseiro como se fosse ela. Acariciei o cabelo como fazia sempre, desci a mão - só com a ponta dos dedos - pelas costas e bati um papo legal. Falei dos filhos e de como fora meu dia de trabalho. Ela dormiu. Eu peguei no sono. Mas não dormi exatamente. Sabe aquele estágio que o cara viaja um pouco? É. E nesse estágio eu segui abraçado no travesseiro. Só que ele já era outra mulher. Outra mulher! E ela também já me abandonou nessa vida.
Olhei sério para o travesseiro, ele me encarou com naturalidade.
Eu sorri.
Lembrei do Ross e do Sheldon.
Abracei de novo e dormi.

22.2.10

A marca do paletó - Cap. 2

Sua expressão de raiva mudou completamente quando viu que tinha esbarrado em Marta. A sobrinha do senhor Lightman. A mulher mais bela da cidade.
- Mil perdões, senhor. Estava apressada para não perder a Carmella cantando. Manchou seu paletó.
- Não há o que se desculpar, madame. Eu estava distraído, olhando o bufê. Tenho outro paletó na cozinha.

Charles carregava um anel que ganhara de seu avô. Era o anel da sorte. Não fazia nada sem estar com o amuleto no bolso. Porém, nesse dia, tamanho era o nervosismo, trocou de paletó e esqueceu o anel no bolso.

- Clara! Clara! Sujou meu paletó. Passa um pano e tira a mancha! Obrigado.

Algum tempo depois, já com seu paletó reserva, Charles voltou ao salão e foi surpreendido por um convite inesperado.
Marta o chamou para ter uma conversa em particular no escritório do Sr. Lightman. Seguindo seus instintos e atração pela bela jovem, apenas a seguiu até a sala.

O escritório do Sr. Lightman parecia um pedaço da biblioteca de Alexandria, com livros raros e edições exclusivas. Cadeiras forradas com couro, almofadas com detalhes banhados a ouro, raríssimos pesos de papel e uma mesa gigantesca coberta de porta retratos com fotos dos momentos marcantes da vida política e familiar do ex-prefeito. Os tapetes persas e chineses são detalhes devidamente intrínsecos à decoração luxuosa.

- Em que posso ajudá-la madame?
- Por que viemos aqui?

To be Continued...

18.2.10

Eu ainda sou um lobisomem juvenil

Luz e sentido e palavra
Falta muito disso tudo para mim
O coração não pensa
Falta água e luz todos os dias
As torcidas já não gritam mais, apenas resmungam
Eu falo e vejo bem que você nem sabe o que me diz
O mundo é muito parecido com o que vejo
Eu sempre vou acreditar nesse mundo do meu jeito
Você voou e me deixou cair das núvens de cabeça (sem os pés no chão)

Mas, se você (ainda) quiser alguém pra ser só seu...
É só não se esquecer
Estarei aqui.

Fiz essa brincadeirinha com a música.
Mas aí vai a música inteira num baita show.. como só o Renato sabia fazer.

10.2.10

A marca do paletó - Cont. Cap. 1

Era a primeira noite da primavera do ano anterior. Arthur Lightman, dono da tabacaria e homem influente na cena política da cidade, era o anfitrião da festa. O antigo prefeito sempre organizava uma festa beneficente no primeiro dia da primavera. A renda excedente da festa era doada aos moradores da Villa. Lugar com pouca condição de sobrevivência. Tanto em termos de saúde, quanto em termos de segurança, já que era lá o covil dos traficantes. Sem esgoto, iluminação e na beira de um vazamento de lava e água contaminada. Enxofre era o maior problema dos infelizes moradores da região. Os traficantes de ópio e cocaína usavam a região para guardar suas mercadorias. A polícia não costuma andar por lá. Nem, ao menos, durante o dia.
Os convidados da Festa da Primavera eram os cidadãos ricos e importantes da cidade. Lightman sabia bem a quem convidar. Dois meses antes da festa enviava os convites. O prefeito Gross aguardava a data com ansiedade. Era um bom palanque de campanha. A Senhora Weiss, curadora do museu, leiloava alguns de seus quadros e doava a quantia para a festa. Muitos dizem que a senhora de 67 anos de idade guardava uma boa parte na carteira. O diretor da William Old School, Aston Vellasques, oferecia quatro bolsas de estudo por ano. Todo ano ele encomendava um smoking novo. Muitas das meninas da cidade lançavam suspiros intermináveis enquanto ele passava. Na festa, havia todo o tipo de personalidades importantes. Menos da polícia.
Charles, óbviamente, não era convidado, mas, sim, empregado. Trabalhava em uma empresa que servia bufês. Era o chefe dos garçons. O bom serviço aos convidados dependia de sua concentração, observação e agilidade. Circulava pelo salão, verificava a champagne e os salgados. Usava um paletó bege com riscas brancas. Os paletós dos garçons eram brancos com riscas beges. Era um tecido impermeável, mais fácil de limpar em caso de acidente.
Em uma das rondas pela sala onde as mulheres jogavam conversa fora enquanto os homens falavam sobre negócios ou esportes, Charles esbarrou com uma moça na saída da porta. Pensou que fosse uma garçonete. Mas ao levantar os olhos teve a grande surpresa.

To be continued...

9.2.10

A marca no paletó - Cap.1

Após terminar o plano e anotar cada passo na memória, Charles andou vagarosamente pela calçada. A chuva fina fazia com que o paletó refletisse as luzes das lanternas das charretes, que, naquela hora da tarde, davam um pouco de vida e movimento ao final de tarde de domingo cheio de nuvens, vento frio e chuva. Ao mesmo tempo em que ele descia a rua, Marta fechava o caixa da tabacaria de seu tio. Domingo é um dia frenético na tabacaria. O movimento cresce enquanto a luz vai baixando junto com o sol - que nesse dia não se apresentou. A cada dia aumentava seu repúdio aos velhos beberrões que iam fumegar seus cachimbos e charutos e, de lambuja, lançar as mais baixas cantadas sobre ela.
Charles vinha preparando o golpe há três meses. Foi logo após um encontro com Marta em frente ao cinema. Ele planejou tudo nos mínimos detalhes. Era a vez de Marta. Ela não escaparia. Quando se aproximava do local, o jovem rapaz lembrou de uma música. A música que tocou na primeira vez em que viu a mais bela garota do bairro. Do mundo ou do universo. Claro, não lembrava o nome da canção. Só assobiou o início. Enquanto a melodia saía de sua boca e navegava no ar úmido, lembrou daquela noite.

To be continued...

6.2.10

Texto roubado do Carpinejar

Eu juro que não gosto muito de roubar textos.
Mas o Fabrício Carpinejar consegue me divertir e fazer pensar com esse blog.
Roubei. Mas, com os devidos créditos.

Gostei desse texto porque pra mim ele tem um significado interessante. Na verdade, tem muitos significados.

Espero que gostem.
Leiam o Carpinejar. Comprem os livros.
Aí vai o link do blog: http://carpinejar.blogspot.com/


Beliches

As imobiliárias deveriam oferecer serviço de assistência psicológica. Há clientes que não resistem ao trauma de alugar um apartamento. Eu sou um deles.

Dependia de um fiador. Respondi para corretora que isso era barbada. Tenho dois irmãos com imóveis, ambos de carreira consolidada. Tive o impulso de discar na hora e resolver o pré-requisito na frente dela, mas me guardei, delirando que brigariam para ocupar o posto.Liguei primeiro para o mais velho, expliquei a urgência, sustentei que sempre paguei todas as minhas contas em dia, sofro pânico de atraso, ele sabe, mas foi enrolando e enrolando, avisando que não queria assumir nenhum risco. Risco? Que risco?

Ele prometeu retornar em seguida. Nunca mais me telefonou.

Não desanimei, acessei minha irmã. A prosa foi ainda mais árdua. Ela começou a me rebaixar para justificar que não desejava ser minha fiadora. É natural que o outro nos coloque em julgamento para se desculpar. Argumentei que não desfrutava de condições para empenhar o seguro-fiança, porque vivia os meses mais difíceis a um escritor, janeiro e fevereiro, sem palestras e movimentação literária. Ela não declinou, acentuou a violência do timbre.

- Precisa se virar sozinho.
- É a regra, não há como ser sozinho.

É terrível quando alguém se mostra vulnerável e o interlocutor aproveita para atacar. Poucos são os que sabem receber a fraqueza de um familiar. Ela passou a me agredir, falando que minha carreira é instável, que não podia apostar em mim. Retruquei que cuido de dois filhos, que assumo as responsabilidades, que gosto de ser adulto. Ela lamentou: mais um motivo.

Fui solicitar apoio e já mendigava.

Cansada da discussão, colocou a culpa no marido. "Meus bens são partilhados, ele não admitiria". Pedi para que trocasse ideia com ele. "Não vou estragar meu casamento por tua causa".

Eu me espantava com as nossas diferenças, adotei então uma posição nostálgica, quase masoquista:

- Lembra que você se chamava de Théo (irmão de Van Gogh) e que me ajudaria?

Ela foi cínica:

- Van Gogh era esquizofrênico, você não.

E desligou na minha cara.

O que aconteceu com a gente, manos? Na infância, vocês seriam capazes de deixar de comer para que comesse, vocês seriam capazes de guardar segredos para não me assustar, vocês seriam capazes de apanhar para não me denunciar aos pais.

Quando a mãe separou o beliche em dois quartos, dormimos juntos no chão. Para não perder as conversas no escuro.

A sensação é que largamos nossa origem após o casamento. Viramos um feudo. São somente os filhos, a esposa ou o marido, todos os demais são intrusos e incômodos. Não confiamos para gerar confiança, não tranquilizamos a esperança. É o boicote, o medo, a paranóia.

Ao procurar um calço entre meus irmãos, vejo que não tenho família. O dinheiro termina com qualquer laço. O amor não tem fiança.

3.2.10

As pernas da Ana Hickmann e os olhos verdes da Evangeline Lilly

Tu vê aquela guria linda. Olhos verdes. Não sabe nem de onde vem e nem de que se alimenta. Aí pensa: nossa, ela deve ser intocável. Depois tu vê aquela loira de pernas longas, delgadas e lindas demais (tipo a Ana Hickmann). Aí pensa: como que alguém consegue alguma coisa com uma deusa dessas?
Uma sempre mantém a pose. Boa pose. Gente boa. Outra reclama que só olham pra ela por causa das pernas e daquele rostinho de Barbie. Outras não estão nem aí pra caras normais. Outras cagam e andam pra gente normal. Colocam as pernas gigantes no meio do cérebro e pensam que são alguma coisa nesse mundo de meu deus. Outras pensam que seus olhos azuis são um oceano no qual ninguém consegue nadar sem se afogar em cinco minutos.
Mas isso é paranóia insegura de pessoas malucas (as quais me incluo). Tem tanta mulher bonita e gente boa por aí. Conheci algumas nesses últimos meses.
O problema da nossa época é que a gente leva tudo pelo exterior e, em último caso, pro interior das pessoas. Eu acho isso uma chatice. Provoco essa situação com minha barba. Hei de usar bigode ainda. Eu ando um pouco cansado de ouvir gente pagando de super-esperto-e-não-sei-o-que. Quem pode criticar a minha vida ou a de outro qualquer?
Nós somos criados em escolas diferentes. Nos apaixonamos e desapaixonamos a nosso bel prazer. Conquistamos e somos conquistados. Comemos e broxamos invariavelmente durante a vida.
Eu cansei. O Carpinejar que me desculpe por roubar a frase dele, mas eu acho de fundamento. Ela é simples e complexa. E diz assim: O apaixonado só não é cafona para ele mesmo. E eu acho isso. O som é meu e eu escuto da altura que eu quiser. Choro, grito e sofro o quanto eu quiser. E não falo só por mim. Todos nós somos assim. O problema é que tem gente que consegue disfarçar.

27.1.10

Redução do Faustão

Li no UOL que o programa Domingão do Faustão vai ser reduzido a um bloco após o futebol.
Segundo o site, é uma reivindicação antiga do gorducho.
Imagina ganhar um salário com mais de seis dígitos e ter que gravar quatro horas de programa...
Para os que, como eu, vêem o programa como um entretenimento pobre de conteúdo cultural, é uma maravilha.

Mas nem tudo é perfeito.

Antes do futebol vai rolar aquele programa Os Cara de Pau. Um especie de O Gordo e o Magro fake e de extremo mau gosto.
Com piadinhas apelativas e sem graça.
Típico dos programas humorísticos da Globo.
Pior que não vai dar nem pra botar a TV no "mudo" e olhar as gostosas pq nesse horário não pode ter gostosas.
Fico pensando se um dia teremos humor moderno e de verdade nas tardes de domingo.
Tem tanta gente boa nesse Brasil varonil.
Mas não sei se é intenção da emissora fazer o telespectador pensar.

Teus Olhos

Eu vivo sem pensar se sou só ou se sou mar.
A nova MBP e o suprasumo da voz nordestina.
Canção de amor (óbvio).
Voz doce e voz forte.
Violão e uma batidinha axé.
Um coração gigante e uma emoção contagiante.
Barba e coxa grandes.
Nada disso consegue resumir ou definir "Teus Olhos".
Ivete e Marcelo.

Lindo, contagiante e empolgante.

Dá uma olhada.

25.1.10

Vago e Conveniente

Estava eu atualizando meu perfil piegas no Orkut e tem um item que diz: “Com os relacionamentos anteriores aprendi:”.
Então fiquei pensando no que tinha aprendido com meus relacionamentos anteriores.
No meu caso seriam passados porque não estou em meio a um relacionamento. Agora consigo mais não lamentar esse fato.
Não ainda 100%, mas estou chegando lá. Lembrei de uma frase afetuosa que os namorados vivem dizendo um pro outro: Eu te amo. Como a gente diz isso, né, hein?
Eu, por exemplo, da última vez que disse “eu te amo” recebi “feliz natal” como resposta. Achei um desaforo. Mas faz parte.
Tem gente que não tem noção do que diz. Coloco-me entre esses.

O cidadão está lá na fila do cinema, pisa no pé da namorada e diz: Desculpa amor. Eu te amo.
A fulana está deitada na cama do namorado quando faltam duas horas para uma festa. A tipa fica enrolando, leva uma hora no banho e mais duas horas pra decidir entre dois vestidos pretos e duas sandálias prateadas. Aí o fulano fica pu-to-da-ca-ra e ela olha pra ele e diz: Amor, não fica brabo. Eu te amo.
Chimarrão na praça e passa uma baita gostosa passeando com o púdol tosqueado como uma ovelha em miniatura, a fulana fica encantada com o bichinho e o malandro fica olhando a bunda da gringa mexendo pra lá e pra cá e diz: Amor, eu te amo. Vamos ter um desses? Enquanto ele profere esse pequeno discurso melodramático pensa: Mas que mina gostosa. Podia encontrar com ela no Pingo um dia desses.
Eu te amo é um artifício de confirmação que usamos para ocultar o que não podemos, ou não devemos, dizer. Tipo bazzinga!

Não estou aqui querendo dizer que o amor não existe e nem nada parecido.
Existem “eu te amos” verdadeiros. Existem amores verdadeiros.
Na minha humilde opinião são aqueles que não acabam, os amores verdadeiros.
Os verdadeiros são aqueles que não se transformam em “feliz natal”.

Voltando às vacas magras. Escrevi lá no Orkut: aprendi que o amor é o sentimento mais vago. E que dizer "eu te amo" é fácil e conveniente. E que o "eu te amo" e o amado podem ser tão descartáveis quanto um papel de bala assim que for oportuno.

10.1.10

A bunda


Tchhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh
Sei lá se esse não é o jeito mais nojento de começar um texto.
É o barulho de uma descarga. Dessas normais.
É um som que acalenta a alma de quem fica horas sentado na mesa de um bar bebendo a cerveja mais gelada possível.
Nenhum boêmio se sente feliz se não puder fumar um cigarro e dar aquela boa mijada.
Tu sente a vontade, levanta, vai ao banheiro, mija e procura a parte mais limpa (geralmente bem pertinho da caixa) do barbante e puxa. Ouve o barulho e pensa: nossa que beleza. Mijei.
Mijar é uma das boas partes da "estada" em um bar.
Mas tem bares e bares. Butecos e butecos. Com e sem banheiro.

Mas eu não queria falar sobre as descargas dos banheiros.

Eu queria falar sobre bunda. É... bunda.

Todo mundo tem bunda.
Uns mais e outros menos.
Tem umas bundas que não existem.
Tem bundas que foram metralhadas.
Tem bunda chupada.
Tem bunda que só existe devido à lordose.
Tem bunda gorda, bunda magra.
Tem bunda redondinha.
Tem bunda que não existia e colocaram à força.
Tem bunda malhada.
Tem um monte de bunda por esse mundo a fora.
Mas hoje no bar eu vi a bunda mais bonita.
Não entra nos meritos citados anteriormente.
Era "A" bunda.
Linda.
Suculenta.
Alguém já deve ter abraçado outro alguém com toda a força.
Quem já fez pode imaginar a vontade de todos os homens, mulheres e afins de apertar com uma só mão aquela bunda.
Bunda. Linda.
O pior de tudo isso é que não era só a bunda... era o conjunto.
Comentei com um amigo: "Ali tá ela. Sozinha. SOZINHA. Ninguém tem coragem de conversar com ela."
E assim ela ficou. Sozinha. Com sua bunda magistral. Magnífica. Deslumbrante. Seu vestido branco com cinta cinza. Sozinha. Suas amigas acompanhadas e ela sozinha, sofrendo por ser bonita, gostosa e ter uma bunda invejável.
Eu gosto de bundas. Gosto mesmo.
Mas sinto pena das bundas gostosas. Elas dão medo. Ofuscam o resto. Intimidam.
E quem as possui acaba tendo problemas com uma das coisas mais legais em um bar: a conversa e o cavalheirismo.
Hoje, os homens não são cavalheiros e são cagões ao ponto de perder a melhor bunda de todos os tempos.

1.1.10

Ano Novo - Vida nova?


Sei lá.

Eu quero um chima um chima chimarrão, pra matar a sede da tradição (neste momento tá tocando essa música).
Ano Novo é sempre assim.
Estou aqui em Jaguarão com uma parte da minha família.
Só choro de alegria.
Assim é muito bom.
Queria abraçar tanta gente nesse momento.

Espero que seja sempre assim.
Que 2010 seja "melhorzinho".
Pra mim.
Pra ti.
Pra todas essas pessoas que precisam que o próximo ano seja bem melhor.

Que venha mais um ano de vida... da qual vamos guerrear como chimangos ou maragatos.
Não importa a escola ou a ideologia.
Vamos seguir lutando pelas nossas vidas.
Amém.

E vamo COLORADO. (Não poderia deixar de faltar)

*juro que peguei essa foto do google e não peguei a fonte...