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22.2.10

A marca do paletó - Cap. 2

Sua expressão de raiva mudou completamente quando viu que tinha esbarrado em Marta. A sobrinha do senhor Lightman. A mulher mais bela da cidade.
- Mil perdões, senhor. Estava apressada para não perder a Carmella cantando. Manchou seu paletó.
- Não há o que se desculpar, madame. Eu estava distraído, olhando o bufê. Tenho outro paletó na cozinha.

Charles carregava um anel que ganhara de seu avô. Era o anel da sorte. Não fazia nada sem estar com o amuleto no bolso. Porém, nesse dia, tamanho era o nervosismo, trocou de paletó e esqueceu o anel no bolso.

- Clara! Clara! Sujou meu paletó. Passa um pano e tira a mancha! Obrigado.

Algum tempo depois, já com seu paletó reserva, Charles voltou ao salão e foi surpreendido por um convite inesperado.
Marta o chamou para ter uma conversa em particular no escritório do Sr. Lightman. Seguindo seus instintos e atração pela bela jovem, apenas a seguiu até a sala.

O escritório do Sr. Lightman parecia um pedaço da biblioteca de Alexandria, com livros raros e edições exclusivas. Cadeiras forradas com couro, almofadas com detalhes banhados a ouro, raríssimos pesos de papel e uma mesa gigantesca coberta de porta retratos com fotos dos momentos marcantes da vida política e familiar do ex-prefeito. Os tapetes persas e chineses são detalhes devidamente intrínsecos à decoração luxuosa.

- Em que posso ajudá-la madame?
- Por que viemos aqui?

To be Continued...

10.2.10

A marca do paletó - Cont. Cap. 1

Era a primeira noite da primavera do ano anterior. Arthur Lightman, dono da tabacaria e homem influente na cena política da cidade, era o anfitrião da festa. O antigo prefeito sempre organizava uma festa beneficente no primeiro dia da primavera. A renda excedente da festa era doada aos moradores da Villa. Lugar com pouca condição de sobrevivência. Tanto em termos de saúde, quanto em termos de segurança, já que era lá o covil dos traficantes. Sem esgoto, iluminação e na beira de um vazamento de lava e água contaminada. Enxofre era o maior problema dos infelizes moradores da região. Os traficantes de ópio e cocaína usavam a região para guardar suas mercadorias. A polícia não costuma andar por lá. Nem, ao menos, durante o dia.
Os convidados da Festa da Primavera eram os cidadãos ricos e importantes da cidade. Lightman sabia bem a quem convidar. Dois meses antes da festa enviava os convites. O prefeito Gross aguardava a data com ansiedade. Era um bom palanque de campanha. A Senhora Weiss, curadora do museu, leiloava alguns de seus quadros e doava a quantia para a festa. Muitos dizem que a senhora de 67 anos de idade guardava uma boa parte na carteira. O diretor da William Old School, Aston Vellasques, oferecia quatro bolsas de estudo por ano. Todo ano ele encomendava um smoking novo. Muitas das meninas da cidade lançavam suspiros intermináveis enquanto ele passava. Na festa, havia todo o tipo de personalidades importantes. Menos da polícia.
Charles, óbviamente, não era convidado, mas, sim, empregado. Trabalhava em uma empresa que servia bufês. Era o chefe dos garçons. O bom serviço aos convidados dependia de sua concentração, observação e agilidade. Circulava pelo salão, verificava a champagne e os salgados. Usava um paletó bege com riscas brancas. Os paletós dos garçons eram brancos com riscas beges. Era um tecido impermeável, mais fácil de limpar em caso de acidente.
Em uma das rondas pela sala onde as mulheres jogavam conversa fora enquanto os homens falavam sobre negócios ou esportes, Charles esbarrou com uma moça na saída da porta. Pensou que fosse uma garçonete. Mas ao levantar os olhos teve a grande surpresa.

To be continued...